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Senador pretende entrar com ação contra Agnelo Queiroz

Filipe Matoso

Governador do DF, Agnelo Queiroz/ foto: Antonio Cruz - ABr

Governador do DF, Agnelo Queiroz/ foto: Antonio Cruz – ABr

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) pretende discutir com a bancada do PSDB se o partido vai entrar com representação criminal junto ao Ministério Público Federal contra o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). De acordo com o líder do PSDB no Senado, os depósitos feitos em 2008 por Agnelo configuram tentativa de compra de testemunha, já que o policial João Dias ameaçava delatar um suposto esquema de desvio de recursos em convênios do Ministério do Esporte.

“O repasse de dinheiro feito por Agnelo coincide com o período em que o policial João Dias ameaçava denunciar o governador, o que deixa no ar a hipótese de tentativa de compra de testemunha. Portanto, cabe representação com base no Código Penal junto ao Ministério Público Federal. Na próxima semana reuniremos a bancada do PSDB para decidir que providências o partido irá tomar”, afirmou o senador em nota publicada pelo partido.

Reportagem do jornal “Folha de S. Paulo” mostra que Agnelo pagou R$ 7.500 para João Dias Ferreira. As transferências – três depósitos de R$ 2.500, com intervalo de cerca de 30 dias entre cada um – constam dos extratos bancários de Agnelo remetidos pelo BRB (Banco de Brasília) à CPI do Cachoeira esta semana, e aos quais a “Folha” teve acesso.

Conforme publica o “G1”,  uma nota divulgada nesta quinta, assinada por Ugo Braga, porta-voz do governo do Distrito Federal, diz que os depósitos são referentes à compra de um carro usado.

“As operações financeiras com o senhor João Dias Ferreira constantes dos dados bancários do governador Agnelo Queiroz dizem respeito à compra de um veículo usado – Honda Civic, modelo 2006/2007. A transação foi feita em fevereiro de 2008, mediante a entrega de 10 cheques nominais pré-datados, mas acabou desfeita pouco mais de dois meses depois, com a devolução do carro e a restituição dos cheques”, diz o texto, publicado pelo site da Rede Globo.

Segundo a nota, “a operação é absolutamente legal e o governador Agnelo Queiroz tanto não tem motivo para escondê-la que prontamente ofereceu seu sigilo bancário, assim como o telefônico e o fiscal, à CPMI do Congresso no dia de seu depoimento, em 13 de junho passado”.

Até a próxima!

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Leréia pode ser o próximo a perder o mandato

Filipe Matoso

A Corregedoria da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (11) o parecer que recomenda a cassação do mandato do deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), por suspeita de envolvimento com o grupo do empresário Carlinhos Cachoeira.

O parecer será submetido à Mesa Diretora da Casa e, se aprovado, encaminhado ao Conselho de Ética. Nesta quarta, o Senado cassou o mandato de Demóstenes Torres.

Em nota publicada pela “Agência Câmara“, o relator da representação, deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), afirmou que “há indícios de uma relação muito próxima entre Leréia e o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que estava tentando exercer influência no governo de Goiás por meio do deputado”.

Leréia afirmou em abril ser amigo pessoal de Carlinhos Cachoeira, mas negou ter interferido em processos de licitação de interesse do empresário. Disse ainda não ter relação com a exploração de jogos ilegais.

“Ressaltei ser amigo de longa data sem, no entanto, com isso, incorrer em quebra de decoro parlamentar”, escreveu em documento enviado à corregedoria.

Até a próxima!

Convocações de Pagot e Bordoni podem sair na próxima semana

Filipe Matoso

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada no Congresso Nacional para investigar a relação do contraventor Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários deve votar na próxima quinta-feira (14) as convocações do ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Trânsito (Dnit), Luiz Antônio Pagot, e do jornalista Luiz Carlos Bordoni.

Carlinhos Cachoeira foi preso em fevereiro deste ano pela Polícia Federal sob suspeita de chefiar uma quadrilha de exploração de jogos ilegais.

Pagot, ex-diretor do Dnit/ foto: Valter Campanato – Agência Brasil

Pagot deixou o Dnit em julho de 2011 em meio a denúncias de diversas irregularidades que teriam sido cometidas pelo departamento enquanto ele estava à frente do órgão. No entanto, há acusações de que as notícias foram “plantadas” na imprensa pelo grupo de Cachoeira, por Pagot não atender a interesses da empresa Delta Construções, que também está sob a mira da Justiça e da CPI.

Conforme reportagem do “G1”, o ex-diretor do Dnit foi afastado da cúpula do Ministério dos Transportes após a revista “Veja” relatar que representantes do PR, funcionários da pasta e de órgãos vinculados teriam montado um esquema de superfaturamento e recebimento de propina por meio de empreiteiras.

Há indícios de que Carlinhos Cachoeira é proprietário oculto da Delta.

Já Luiz Bordoni, que participou da campanha de rádio de Marconi Perillo (PSDB) em 2010, afirma ter recebido R$ 170 mil do comitê. Parte do pagamento, diz o jornalista, foi feita pela empresa Alberto & Pantoja Construções. Ele afirma ter recebido R$ 40 mil das mãos do governador e R$ 45 mil da companhia, que é apontada pela Polícia Federal como “empresa de fachada”. O restante, afirma, foi pago por outros meios.

Perillo entrou na Justiça contra Bordoni por danos morais e nega as acusações do jornalista.

Agenda

A CPI ouve na próxima semana os governadores de Goiás, Marconi Perillo, e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). O tucano vai prestar depoimento na terça-feira (12) às 10h15 e o petista na quarta (13) também às 10h15.

O advogado de Agnelo, Luis Carlos Alcoforado, disse ao “G1” que a principal estratégia do governador é mostrar aos membros da comissão que a Delta “não recebeu tratamento especial” no Distrito Federal. Perillo desde o começo tem forçado a ida à CPI para “esclarecer as acusações“.

Conforme publica o “Estadão”, o tucano foi citado 237 vezes nas gravações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal, durante as operações Vegas e Monte Carlo. O GDF rompeu nesta semana o contrato que tinha com a Delta para a coleta de lixo, mas a empresa possuia vigente um acordo estimado em R$ 470 milhões.

Até a próxima!

Demóstenes no Conselho de Ética

Filipe Matoso

Demóstenes Torres no Conselho de Ética do Senado/ foto: Wilson Dias – ABr

O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) prestou depoimento nesta terça-feira (29) no Conselho de Ética da Casa, que abriu processo para avaliar se houve quebra de docoro no envolvimento  do parlamentar com o empresário Carlinhos Cachoeira.

Avaliação

Para o relator, Humberto Costa (PT-PE), o depoimento de Demóstenes foi “enriquecedor” e há “índícios que de que houve a quebra de decoro”. Cristiana Lôbo, comentarista do canal por assinatura “Globo News”, publicou no microblog Twitter: “objetivo de Demóstenes é mostrar relacionamento com o lado legal de Cachoeira e não com o de explorador de jogos. Nas gravações foi diferente”. “O ambiente ficou mais favorável, mais positivo para ele”, completou em reportagem.

Amizade

Durante a sessão, que durou cinco horas, o senador admitiu ser amigo pessoal do contraventor, mas negou a todo instante que soubesse que Carlinhos Cachoeira estava envolvido com a exploração de jogos ilegais em Goiás.

Rádio

Demóstentes disse ainda que o polêmico rádio Nextel, dado a ele por Cachoeira, servia para que dois amigos pudessem conversar. “Quandou sobre da prisão de Cachoeira [em fevereiro deste ano], devolvi o aparelho à mulher dele”, afirmou. Segundo o parlamentar, as contas eram pagas pelo contraventor e chegavam, em média, a R$ 50. “Recebi para a minha comodidade. Falava no Brasil, nos EUA e na Argentina”.

Sentimento

O parlamentar disse em depoimento que o sentimento é de “decepção” com Cachoeira, pois o bicheiro havia dito a ele que “tinha parado com o jogo ilegal”. “Cachoeira se relacionava com diversos governadores e políticos, ninguém sabia da atividade dele. Acredito que todos estão decepcionados com ele”, disse. Demóstenes afirmou se sentir “traído” pelo bicheiro.

Vazamento

Para Demóstenes, o vazamento do conteúdo das ligações telefônicas feitas entre ele e Cachoeira foi “seletivo” e feito para desmoralizá-lo.

Investigações

Durante a sessão, o senador afirmou que as investigações feitas pela Polícia Federal foram ilegais. “Fui investigado clandestinamente!”, disse. Este argumento, que é apresentado pela defesa de Demóstenes desde o início das acusações, já foi rebatido pelo Ministério da Justiça. O chefe da pasta, José Eduardo Cardozo, disse ao “G1” que as escutas foram legais e a polícia não poderia se omitir “diante de tantas ligações entre Demóstenes e Cachoeira”. “O foro privilegiado não pode servir para acobertar fraudes de parlamentares”, disse Cardozo.

Suspeita de lobby

Demóstenes negou a todo instante que atuasse como lobista de interesses ilegais. O senador afirmou que atuou “em defesa de todas as empresas do estado [Goiás]” que o procuraram. “Eu não tenho nada a ver com o jogo“, disse. Demóstenes afirmou que deve ser julgado pelo que fez e não pelo que falou. “Eu nunca procurei nenhum colega, de qualquer partido, para aprovar o jogo”, se defendeu.

Quebra de decoro

O senador negou ter usado mandato em favor de Carlinhos Cachoeira. “Este é o pior momento da minha vida (…) cheguei a pensar em renunciar ao meu mandato”.

CPI do Cachoeira

A comissão aprovou na tarde desta terça-feira a quebra de sigilo das contas nacionais da empresa Delta Construções.

Até a próxima!

Fora da CPI

Filipe Matoso

Enquanto a “CPI do Cachoeira” ouve depoimentos de delegados da Polícia Federal, aprova requerimentos para convocar pessoas com suspeita de envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e pede a quebra de sigilo delas, os depoimentos de Fernando Cavendish, proprietário da empresa Delta Construções, e do jornalista Policarpo Júnior, editor da revista “Veja” em Brasília, podem ser deixados de lado.

“Não há indícios de que o jornalista Policarpo [Júnior] se envolveu com a organização criminosa [de Cachoeira]. Em nenhum momento propusemos investigar a imprensa ou quebra de sigilo de jornalistas. [Exigimos] apenas a transcrição completa de diálogos envolvendo jornalistas com o grupo. Todas as pessoas, físicas ou jurídicas, que se relacionaram com Cachoeira serão investigadas por nós, sejam empresários, senadores, deputados, jornalistas, governadores, prefeitos ou desembargadores”, disse o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG).

Segundo ele, não há elementos que justifiquem as convocações de Policarpo e Cavendish. “No caso do Cavendish, até há indícios. Mas, neste momento, não há justificativa para nós [a comissão] quebramos o sigilo dele e convocá-lo para esta CPMI”, completou.

Leia também: Cachoeira vai à CPI

Até a próxima!

Cristiana Lôbo: Mário Negromonte deixa a pasta das Cidades nesta quinta

Após várias denúncias contra o ministério, Negromonte vai pedir à presidenta Dilma para deixar as Cidades

Filipe Matoso

A jornalista Cristiana Lôbo (Globo News) afirmou no microblog Twitter nesta quarta-feira (1º) que a saída de Mário Negromonte do Ministério das Cidades está marcada para esta quinta (2). Ela publicou ainda que o Partido Progressista (PP), ao qual o ministro é filiado, está certo de que irá manter a vaga no comando da pasta.

Negromonte deve entregar o cargo a qualquer momento. Se for concretizada a saída, esta será a 7ª vez no Governo Dilma em que um ministro sai por suspeita de envolvimento em esquemas de corrupção.

O nome mais cotado para substituir o atual ministro das Cidades é o do líder do PP na Câmara dos Deputados, Aguinaldo Ribeiro.

Dilma Rousseff/ foto: Evaristo SA - AFP Photo

Nesta quarta, o deputado federal Vilson Covatti (PP-RS) disse que Negromonte já redigiu a carta de demissão que entregará a Dilma. Ao G1 Política, o parlamentar afirmou que o ministro está desgostoso com o que chamou de “fogo amigo” dentro do partido, o PP.  “Ele continuou tendo o fogo amigo, e acho que se desgostou com isso porque continuam as críticas. Ele continua sangrando sem necessidade”, disse Covatti.

Na terça-feira (31), Mário Negromonte desistiu de participar de uma reunião marcada com a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. O ministro, alvo de denúncias de irregularidades na adminstração das Cidades, enviou representantes.

Leia o post na íntegra e entenda quais são as denúncias contra o ministério, quais pessoas ligadas  a Negromonte deixaram a pasta e a defesa apresentada por ele ao Senado em 2011. Leia o resto deste post