Arquivo mensal: outubro 2011

As razões para Orlando Silva cair após denúncias de corrupção no governo

Como publicou o blog de Luis Nassif, saída do ministro pode representar primeira derrota do Governo Dilma

Filipe Matoso

Se tivéssemos de definir todo o caso da queda do ex-ministro dos Esportes, Orlando Silva (PC do B), em apenas uma palavra, diríamos: fraqueza. O político deixou a pasta sob a suspeita de envolvimento em esquemas de corrupção no programa Segundo Tempo. Sob suspeitas. Provas? Para quê? Elas não servem para nada. Aliás, nem necessárias elas são. Após denúncias feitas pela revista Veja (Editora Abril), a situação política de Orlando Silva ficou insustentável. Diferente de outros quatro ministros, que deixaram o governo após provas serem apresentadas, ele sai afirmando que mostrará inocência.

Já que falamos em “fraqueza”, vale a pena explicar porque apenas uma palavra resume o contexto político vivido em Brasília nos últimos 15 dias. O Governo Dilma, de um modo geral, está bem. Os números na Economia são favoráveis, projetos estão em andamento e o pulso firme da presidenta parece fazer feito. No entanto, como publicou o blog de Luis Nassif,  a queda de Orlando Silva se tornou uma derrota para a petista. A frase “questões políticas” foi repitida inúmeras vezes na quarta-feira (26/10), dia que sacramentou a derrubada do homem-chefe dos Esportes.

Questões políticas derrubaram Orlando Silva. Provas não. O delator do esquema de corrupção, o policial militar João Dias, negou ter provas concretas contra o político. Então, a colunista Dora Kramer, do Estado de S. Paulo, critica a sociedade por exigir documentos assinados de próprio punho por Orlando. O blog exige provas. Quer dizer, então, que as acusações feitas conseguiram derrubar o ministro? Sim.

Dilma/ foto: blog do Farnésio

Falamos em governo, pois, mais uma vez, não conseguiu acalmar os ânimos e se deixou levar pela mídia – seja ela considerada pelo leitor como golpista ou não, não importa aqui. Diziam que a defesa seria apresentada e que acusações feitas de forma leviana não colocariam em xeque a integridade política de Orlando. Colocaram. Afinal, ele deixou o cargo. O pulso firme de Dilma deveria ter sido mostrado nesta hora, enquanto provas ainda não apareceram. Provas, provas, provas. Palavra repetitiva, cansativa e que aparece no texto a todo instante. Menos nas denúncias.

Mídia. O Fantástico (TV Globo) exibiu uma matéria que apontava irregularidades no programa Segundo Tempo e apresentou as denúncias e defesas. Como diz o manual. Já a revista Veja, como de costume, não poderia deixar de estar no foco dos escândalos políticos do governo. A publicação ainda não divulgou as provas da denúncia. Opa! Como diria Galvão Bueno, “pode isso, Arnaldo?”. Na minha faculdade não. Sou da escola que ensina futuros jornalistas a ter documentos que comprovem denúncias. Caso contrário, não vale a pena nem publicar a reportagem.

João Dias, o delator/ foto: site Jornal Sport News

De “irregularidades no programa” a “ministro fazia parte de esquemas de corrupção” o salto é grande. Há quem banque, há quem divulgue. Se Orlando Silva, de fato, fazia parte do grupo corrupto, deveria ter caído por tais atitudes. Erros na gestão de programas têm poder de derrubar ministro? Deve-se avaliar cada caso. Fato concreto é que no Brasil, pelo jeito, a obrigação de apresentar provas se tornou de quem é acusado, não de quem acusa.

Orlando Silva. O discurso de que “provas não aparecerão” se mantém desde o início. Então, por que deixou o cargo? É certo que atividades irregulares no ministério foram encontradas, daí ele sair exige um estudo político maior sobre este caso. Um cientista político sabe opinar de forma mais complexa. O ex-ministro caiu por não suportar a pressão. Ora, quando não há nada de errado, não há o que temer, certo? O blog entende que ele deveria ter continuado até João Dias apresentar, de vez, os documentos que promete há duas semanas, ou, então, Veja publicá-los.

De forma alguma vamos colocar a mão no fogo por Orlando. No entanto, não concordaremos com matérias de denúncias sem provas, delator de esquemas de corrupção sem documentos e queda de ministro baseada em questões políticas como as vistas neste caso. É claro que questões políticas nomeiam e derrubam ministros – óbvio-, mas não as presenciadas este mês. Para o blog, as provas terão de aparecer para mostrar que a queda do ministro não foi a “barrigada da mídia” do ano. O editor-chefe do jornal Alô Brasília, Lívio di Araújo, chegou a publicar no micoblog Twitter que as declarações de Dias são “o blefe do ano”.

Orlando Silva dá adeus ao ministério/ foto: blog do Puty

Aliás, vamos aguardar para ver durante quanto tempo João Dias demora para cair no esquecimento do veículo que o apresentou à população brasileira. Por sinal, antes de fechar o texto, é difícil de engolir o secretário-geral da Federação Interncional de Futebol (FIFA, em inglês), Jeróme Valcke, dar palpite na política brasileira.

Boa sorte a Aldo Rebelo, novo ministro dos Esportes.

Até a próxima!

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Orlando Silva é o sexto ministro a deixar o Governo Dilma

Denúncias de suposto esquema de corrupção derrubaram Orlando Silva dos Esportes

Filipe Matoso

Na quarta-feira (26/10) o ministro dos Esportes, Orlando Silva Júnior (PC do B), deixou o comando da pasta. Sob denúncias de envolvimento em esquemas de corrupção no programa Segundo Tempo, o chefe do ministério entregou o cargo por “questões políticas”, como noticiaram os principais veículos do país. As acusações que envolviam o agora ex-ministro começaram semana passada.

Ele não foi o primeiro. De janeiro a outubro deste ano, outros cinco ministros também deixaram o governo. Antônio Palocci deixou de ser ministro-chefe da Casa Civil e caiu sob a suspeita de enriquecimento ilítico. Já Alfredo Nascimento entregou o cargo após várias irregularidades serem apontadas no Ministério dos Transportes. Com Pedro Novais não foi diferente. O então ministro do Turismo saiu após atitudes ilegais serem denunciadas por alguns veículos. Wagner Rossi também caiu e deixou o Ministério da Agricultura sob indícios de irregularidades na pasta. Por fim, Nelson Jobim foi o único a “dar tiros no próprio pé”. Falou mais do que deveria e não resistiu às polêmicas criadas por ele.

Deputado federal Aldo Rebelo assume os Esportes/ foto: blog PC do B Ponta Grossa

No lugar de Orlando Silva, assume o deputado federal Aldo Rebelo, também do PC do B, partido que comanda os Esportes desde o início do Governo Lula, em 2003, com Agnelo Queiroz (hoje governador do DF) à frente da pasta. O nome de Aldo foi confirmado nesta quinta-feira (27/10). Resta saber como o Ministério dos Esportes vai seguir de agora até 2014. O blog torce para Aldo conseguir desempenhar um bom trabalho e a queda de Orlando Silva será comentada em outro post.

Até a próxima!

Viatura da PM é flagrada cortando engarrafamento pelo acostamento

Código de Trânsito permite movimentação livre, mas com ressalvas

Filipe Matoso

Passava pela Estrada Parque Guará (EPGU) por volta das 17h40 de sexta-feira (21/10) e o engarrafamento estava enorme. Sai da Asa Sul em direção ao Park Shopping. Geralmente, o trajeto é feito em 10 ou 15 minutos, no máximo. Como era fim de tarde e no horário que os moradores do Guará, Candangolândia, Gama e de outras cidades voltam para casa, o trânsito estava lento. Para se ter ideia, já dirigia há 30 minutos.

Na via há três faixas de rolamento, indicadas no chão por faixas brancas não contínuas (__  __  __), e o acostamento, indicado por uma faixa branca contínua (_________). Passaram uns três carros pelo acostamento, o que é proibido por lei, e brinquei com minha cunhada: “podia ter uma viatura da polícia por aqui e multar esses motoristas”. Até que, pouco tempo depois, uma viatura da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) também corta o trânsito lento pelo acostamento.

A gente dirige como determina a lei e nem as pessoas responsáveis por nos fazer cumpri-la a respeitam. Assim fica difícil. Reparem onde está a viatura e os sinais na pista.

Viatura da PM corta o engarrafamento pelo acostamento/ foto: Susannah Gurgel

A Central Integrada de Atendimento e Despacho (Ciade) da PMDF informou que a circulação livre é permitida às viaturas da polícia, bombeiros e oficiais. No entanto, ressaltou que o tráfego no acostamento é permitido em casos de emergência, desde que seja feito com sinais luminosos e sonoros ativados. Como nenhum dos dois estava ligado, pode ser que estivessem quebrados. Há essa possibilidade.

Os policiais que conduziam a viatura não cumpriram as regras.

E esta não é a primeira vez. Em 17 de junho deste ano, moradores do DF enviaram ao jornal Correio Braziliense uma foto de uma viatura da Polícia Civil estacionada em vagas reservadas para deficientes físicos. Além disso, no dia 13 de junho outras pessoas haviam registrado uma viatura do Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF) estacionada em vaga exclusiva para idosos.

Até a próxima!

Morte de Kadhafi representa liberdade para a Líbia

Imagens do ditador foram divulgadas pelas redes internacionais de TV

Filipe Matoso

Liberdade!

O assunto do dia não poderia ser outro. A morte do ditador líbio Muammar Kadhafi foi confirmada durante a manhã desta quinta-feira (20/10). Com a saída dele do poder, o país se torna livre e um conselho criado para fazer a transição de governo tem a responsabilidade de dar um primeiro passo para a Líbia se tornar um lugar melhor. Os canais Globo News e CNN Internacional divulgaram fotos, vídeos, entrevistas com especialistas e fizeram uma cobertura especial. Sites como Correio Braziliense e G1 Revolta Árabe noticiavam a todo instante as novidades do caso e passavam informações de minuto em minuto.

Enquanto as primeiras reportagens eram veiculadas, ainda havia a dúvida sobre a veracidade das imagens. EUA e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) não confirmavam a morte de Kadhafi e incertezas tomavam conta do noticiário. Por exemplo, era publicado: “Kadhafi teria morrido após ataques, confiram grupos rebeldes líbios”. Incertezas. Segundo o Conselho Nacional de Transição (CNT), o ditador foi encontrado em casa na cidade natal, Sirte.

Muammar Kadhafi/ foto: site Notícias BR

Até que, então, a embaixada da Líbia no Brasil e os responsáveis pela diplomacia se manifestam e confirmam a morte do ditador. O cônsul-geral em Brasília, Mohammed Ninfat, disse à Agência Brasil que obteve informações confirmando a morte de Khadafi esta manhã. No entanto, ele disse ter dificuldades para falar com integrantes do CNT. “Estamos todos muito felizes e em clima de festa. O momento é de celebração. Mas precisaremos da ajuda da comunidade internacional. O Brasil, por exemplo, pode nos ajudar para a retirada de minas terrestres, colocadas por ordem de Khadafi em vários locais da Líbia”, disse o cônsul à agência.

Alguém defende a Ditadura? O blog não. Vivemos em um regime oposto e há pessoas que denfendam o poder da forma como era praticado aqui mesmo, há algumas décadas. Elas têm o direito. No entanto, pensamos que o desenvolvimento de uma nação se dá sobre três pilares: Social, Economia e Política. Certamente, quando um desses aspectos vai mal, a tendência é a de que os outros caminhem no mesmo rumo. É inaceitável que uma pessoa passe 42 anos como chefe de Estado e de Governo de um país. Mais ainda, é necessário que haja a troca de governantes, para que o melhor de cada um deles seja aproveitado e a nação ande para frente.

Lula e FHC são distintos. Entretanto, um complementou o governo do outro. Se qualquer um dos dois tivesse passado 16 anos no poder, o Brasil não estaria como está hoje. Para o blog, ainda não está 100% bom, mas caminha para melhorar. Lula não teria obtido os mesmos resultados se começasse do zero, nem o tucano conseguiria dar continuidade por mais oito anos e atingir os níveis do petista. É simples.

Para não prolongar, de forma alguma o blog vai comemorar a morte de Kadhafi, ou de qualquer pessoa, seja quem for. O momento é de se pensar em como vai ficar o país após a morte do ditador e torcer para que a Líbia se torne um país livre e com condições de oferecer aos cidadãos os direitos básicos de humanidade, como segurança, transporte, saúde e educação.

Kadhafi passou 42 anos no poder e declinou em meio à Primavera Árabe. O coronel e vários aliados estavam foragidos desde a queda do governo na capital Trípoli, dia 23 de agosto deste ano.

Preferimos não publicar as fotos de Kadhafi morto, mas é possível vê-las nos sites G1 e Correio Braziliense.

Ivete Sangalo canta bem, anima o povo e agora já pode falar “uai”

Cantora baiana será homenageada em Belo Horizonte

Filipe Matoso

Hoje tem festa, oxente, uai. Vem com a gente que um mar de gente vai. Axé Brasil, Axé Minas Gerais. E não é que a mistura de Minas com Bahia dá certo cada vez mais?

A cantora baiana Ivete Sangalo vai a Belo Horizonte para receber nesta quinta-feira (20/10) o título de cidadã honorária de Minas Gerais. O evento acontece na Assembleia Legislativa de MG e o governador, Antônio Anastasia (PSDB), a entrega a honra. Após a cerimônia, Ivete será homenageada no Palácio das Mangabeiras, residência oficial do tucano. Ela se apresenta no sábado (22/10) na capital mineira. Para falar a verdade, ela bem poderia vir a Brasília e fazer um show por aqui.

Bem, como o blog é de Política, não há mal em dizer que sou fã de Ivete. Agora mais ainda porque ela ganhou um toque de “mineirisse”.

A Rainha do carnaval, Ivete Sangalo/ foto: site Imagens grátis

Orlando Silva e os problemas no Ministério do Esporte

Acusações feitas por policial militar do DF sugerem que há esquemas de corrupção na pasta

Filipe Matoso

Desde o início da semana o clima está tenso em Brasília. Denúncias feitas pela revista Veja (Editora Abril) e pelo Fantástico (TV Globo) mostraram supostos esquemas de desvio de verba no Ministério do Esporte, chefiado por Orlando Silva Júnior (PC do B). Bem, o que temos até agora? O policial militar João Dias acusa o ministro de participar de atitudes ilícitas que o fariam enriquecer ilegalmente por meio do programa Segundo Tempo. No entanto, o político nega as acusações e diz que irá até o fim na Justiça para que as pessoas responsáveis pela denúncias sofram consequências judiciais.

Orlando Silva já deu explicações no Congresso Nacional, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, e reafirmou que não surgirão provas contra ele. Já o policial diz que no momento certo os documentos que comprovam o esquema de corrupção irão aparecer.

Portanto, há até o momento uma pessoa que acusa o ministro de participar do esquema e Orlando, que responde ao dizer que não está envolvido. Para o blog, ainda não há muito o que falar. Se for comprovado o envolvimento do ministro, ele terá de deixar o ministério o quanto antes. No entanto, a obrigação de apresentar provas é de quem acusa. Portanto, enquanto os tais documentos não forem apresentados, fica difícil termos uma posição definida sobre o assunto.

Orlando Silva/ foto: Exame.com

Acreditamos que o ministro deve ser ouvido, o policial militar também e o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz(PT), então ministro do Esporte quando os problemas supostamente teriam começado. Fato é que essa história ainda está confusa. O governador não está no país, pois viajou à Suiça na terça-feira (18/10) e retorna ao Brasil na sexta-feira (21/10). Ele foi à capital Zurique, pois a entidade responsável pelo futebol mundial, a FIFA, fará anúncios ligados às copas das Confederações e do Mundo, em 2013 e 2014, respectivamente, que acontecem no Brasil.

Portanto, ainda não há um rumo certo para definirmos nossa posição. Há denúncias, defesa, mas não há provas, pelo menos por agora. Não sabemos. Por enquanto, temos de aguardar e ver o que surge de concreto nesse caso.

Confira na íntegra a nota enviada pelo Governo do Distrito Federal sobre o caso:

Em relação à reportagem divulgada pela revista Veja, temos a esclarecer:

Durante a gestão no Ministério do Esporte, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, jamais participou de processos para transferência de recursos públicos para “ONGs amigas”, como supõe, de forma inconsistente, a reportagem. Na gestão Agnelo, o Ministério do Esporte serviu apenas a interesses públicos, razão pela qual é irresponsável e criminosa a especulação de que o órgão se prestava a práticas ilícitas. 

O Ministério do Esporte tomou medidas duras para apurar convênios na época que apresentaram indícios de irregularidades. Todos os atos da gestão de Agnelo Queiroz no ministério foram realizados com base nos princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade e economicidade. 

A passagem de Agnelo pelo Ministério do Esporte e sua convivência partidária com o PCdoB não oferecem fatos que mereçam censura ética ou legal.
Saiba mais:

G1 Política: PGR diz que pedirá ao STF inquérito para investigar Orlando Silva, Policial que acusou Orlando Silva depõe na Polícia Federal

Folha Poder: Para tucano, acusação contra delator é ‘confissão de culpa’, Patrimônio de policial delator inclui casa, academias e carros

Correio Braziliense: Orlando Silva diz que AGU irá processar o PM e o motorista que o acusaram , Oposição aprova convite para ouvir PM que acusou ministro

Estadão: Ministro do Esporte diz que recebeu policial a pedido de AgneloTemer nega que denúncias partiram do PT e do PMDB

Unidade política nos partidos pode estar com os dias contados

Legendas com ideologias contrárias têm se unido para políticos conseguirem cargos

Filipe Matoso

Cresci em uma época em que PT e PSDB realmente batiam de frente. Em Belo Horizonte, quem era PT, era PT. Se fosse tucano, todos os votos eram no 45. Lá na cidade onde passei 12 anos, o PSB é forte e o PMDB também. No entanto, alguma coisa mudou. De uns tempos para cá, petistas votam em candidato do PSB apoiado pelo PSDB. Ahn? É isso mesmo. Parece estranho, mas é uma tendência. Pode ser que a moda acabe, mas há chances de continuar.

O problema não está em partidos adversários se unirem. De forma alguma. Vamos supor que PT e PSDB se juntem para lançar um candidato à prefeitura de São Paulo. Além disso, PMDB, DEM e PSD se aliam e lançam o adversário. Tudo ok. O problema é que se partidos com ideologias contrárias começarem a se unir, como os políticos governarão? Quer dizer, imagine um petista mais preocupado com a Economia e um peessedebista com a área social. Parece difícil entender. No entanto, a existência de cargos por indicação política faz com que eles se unam e o eleitor perca a identificação com a sigla em que votou a vida inteira.

PT-BH

PT e PSDB se uniram em MG/ foto: UOL Notícias

Em Belo Horizonte, em 2008, o então prefeito da capital mineira, Fernando Pimentel (PT), se uniu ao então governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), para que Márcio Lacerda (PSB) fosse eleito. De fato, foi. O adversário, Leonardo Quintão (PMDB), não venceu a aliança inesperada entre vermelhos e azuis. Opa! Aliança parcial. Pois, parte dos eleitores petistas não concordou com o aperto de mãos entre Pimentel e Aécio e votou em Quintão. Para 2012, há dezenas de suposições. Certo é que o PT, que governava a cidade desde 1993, se dividiu, ficou enfraquecido e dificilmente conseguirá eleger um candidato se disputar as eleições sem apoio político.

Qual é ideologia atual do PMDB?/ foto: Blog do Caramuru

PMDB – Brasil

Historicamente, de que lado está o PMDB? Não sei. Na verdade, em cada canto do país o partido tem uma ideologia. No Rio Grande do Sul apoia um, em São Paulo apoia outro e na Bahia se dá melhor com um terceiro. Ou seja, qual é a identidade política do PMDB? Não se sabe ao certo. O partido está entre os três maiores do Brasil e, aí, entra uma questão muito poderosa. Número de eleitores. Para qualquer sigla, ter o apoio do PMDB é fundamental, sem dúvidas. Dessa forma, a legenda aperta as mãos de quem for mais interessante. Unidade política? O PMDB não tem. Se isto está errado, somente um cientista político para opinar. Fato é que a ausência de uma ideologia mais forte deixa o partido meio que lá e cá. Entende? Veja o comentário na íntegra e saiba sobre a divisão do PSDB no Rio de Janeiro, a falta de ideologia no PSD e a opinião do blog: Leia o resto deste post

PSDB começa nova propaganda política nesta quinta-feira

Partido fará a transmissão às 20h30 e a dúvida é sobre o conteúdo do vídeo

Filipe Matoso

O PSDB começa a transmitir a nova propaganda partidária a partir desta quinta-feira (13/10), às 20h30, no espaço reservado para o horário político gratuito. De acordo com a legenda, é uma nova tentativa de aproximar o partido da sociedade. Resta saber se será o início de uma campanha eleitoral. Confesso que estou curioso para ver o vídeo. Tomara que não apareça nenhum * que os eleitores ainda  desconhecem.

Existe uma expectativa. Ano passado, durante as eleições presidenciais, o nível de respeito ao eleitor estava lá embaixo. Ofensas, provocações, mentiras, religião e outros pontos tomaram conta do horário eleitoral durante os meses de campanha em 2010. Não só por parte do PSDB, claro, mas quase todos os partidos fizeram propagandas ruins.

*Zé: O tucano José Serra é conhecido desde a juventude quando atuava na União Nacional dos Estudantes (UNE) como José Serra. De uma hora para outra, ele se torna Zé. Na campanha eleitoral do ano passado, a música da campanha era “depois de votar no Silva [Lula], a hora é de votar no Zé [José Serra]”. Quer dizer, notoriamente, esta foi uma estratégia para aproximar o então candidato à presidencia do povo brasileiro, por causa da nossa cultura, de um modo geral. No entanto, foi um erro.

Como será a campanha do PSDB? Expectativa.../ Foto: site Agente 65

Em um cenário, foram colocados papelões atrás do candidato para “montar” uma favela. Como se não existissem milhões em todo o país. Ele, como candidato, tinha a obrigação de visitá-las. Não todas, claro. Em resumo, a campanha tucana ano passado foi atabalhoada, grosseira para com o eleitor e não adiantou. Houve a história da bolinha de papel, do aborto, do casamento gay e tantas outras que, sinceramente, não eram provocações ao PT, mas, sim, ao eleitor. O PT também foi mal em vários pontos, mas nosso foco neste post é a propaganda do PSDB que começa a ser transmitida hoje.

Para José Serra, o momento é de pensar nas eleições municipais (prefeitos e vereadores). “O ano de 2014 está longe. Antes vem 2012. Querer colocar o carro adiante dos bois só atrapalha e desorganiza a oposição”, disse o tucano no microblog Twitter, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

Tomara que a propaganda seja voltada para a população, com apresentação de ideias, propostas e não apenas ofensas ao governo. Afinal, oposição fraca resulta em governo fraco. E isso nós não queremos.

Por sinal, como ficam os tucanos José Serra e Aloysio Nunes na propaganda? Vai saber…

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), tentou justificar hoje o fato de a propaganda partidária de sua legenda não ter contemplado algumas lideranças, como o senador Aloysio Nunes Ferreira e o ex-governador José Serra. Por conta disso, Aloysio usou o twitter, na sexta-feira (30), para reclamar que tanto ele quanto Serra foram ignorados pelo partido. “O diretório estadual optou por dar prioridade às lideranças regionais”, disse Alckmin, alegando ainda que a propaganda do PSDB foi reduzida à metade devido a uma punição da Justiça Eleitoral e que não houve tempo suficiente para contemplar todos os tucanos. (Fonte: Portal IG 03/10)

Confira na íntegra a nota divulgada pelo PSDB:

Brasília (13/10/11) – O PSDB inicia nesta quinta-feira, 13, o processo de reaproximação com a sociedade e suas bandeiras em programa no horário político gratuito de rádio e TV, levado ao ar às 20h30. “Nós vamos reestruturar o partido para reaproximá-lo da sociedade e das suas bandeiras”, afirmou o presidente nacional do partido, deputado Sérgio Guerra.

O programa vai destacar as conquistas dos oito anos em que o PSDB governou o país quando Fernando Henrique Cardoso criou o Real e iniciou o processo de estabilização econômica mantido pelos seus sucessores.

Na TV, o PSDB também vai mostrar que os programas sociais de transferência de renda foram iniciados no governo tucano, responsável ainda pelas medidas de fortalecimento do sistema financeiro e a Lei de Responsabilidade Fiscal, fundamentais para manter o país protegido das crises externas.

GDF toma medidas na Saúde que envolvem políticas do Governo Federal

Propostas da Política Nacional de Humanização passam a ser aplicadas em hospitais do Distrito Federal

Filipe Matoso

O Governo do Distrito Fedral (GDF) começou a implantar na rede pública de saúde algumas ações  propostas pela Política Nacional de Humanização (PNH) ou HumanizaSUS, do Ministério da Saúde. A partir deste mês, o reinaugurado pronto atendimento infantil (PAI) do Hospital Regional do Gama deixa de atender as crianças por ordem de chegada. O PAI passa a contar com salas de acolhimento, registro de pacientes, classificação de risco e consultórios. Os leitos ficam divididos por áreas: crítica, semi crítica e de observação.

A proposta é boa. Atender as crianças  por classificação qualifica os processos de atendimento e recuperação, desde o momento da chegada até a alta. Se o GDF conseguir que a política seja praticada da maneira correta, a tendência é que a população seja melhor atendida, e de forma mais humanizada. De acordo com a matéria publicada na última segunda-feira (10/10) pelo jornal Correio Braziliense, a obra no hospital do Gama custou cerca de R$ 1,1 milhão. Tomara que o investimento seja revertido em um atendimento digno para a população infantil. Afinal, não adianta gastar dinheiro público em uma reforma como esta, anunciar a implementação da política, se daqui a alguns meses chegarmos ao hospital e percebermos falhas no atendimento.

Há quem não concorde com a classificação de risco e acredite que o atendimento por ordem de chegada seja a forma mais justa. É um ponto de vista que deve ser respeitado.

É claro que vem à memória a promessa de campanha do governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), de que a Saúde estaria estabilizada em até 100 dias do governo e, claramente, isso ainda não aconteceu. Esse tema vale um outro post.

Política na Saúde

Ainda nesta linha de classificação de risco, o deputado distrital Michel Alves (PSL-DF) criou um projeto chamado Viver Em Casa, que deve ser votado na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Em nota, a assessoria do parlamentar informou que o programa vai possibilitar aos pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) a escolha de receberem alta hospitalar para continuar o tratamento nos respectivos domicílios. Se tiverem condições de terminar o processo de cura em casa após avaliação médica, claro.

Segundo o deputado, entre as vantagens da aplicação do projeto estão a economia de cerca de 55% dos custos da internação, o fim do risco da infecção hospitalar e, ainda, a liberação de leitos de UTIs para casos mais graves. De acordo com o projeto,  a Secretaria de Saúde do DF passaria a ficar obrigada a supervisionar o tratamento domiciliar, fornecer e fazer a manutenção dos equipamentos que a equipe médica julgar necessários.

Pronto atendimento infantil do Hospital do Gama/ Foto: Agência Brasília

Por mais que a proposta do parlamentar não esteja em conjunto com as políticas da PNH implantadas pelo GDF, há uma ligação entre elas.

Vamos aguardar e ver como fica a Saúde no DF.

Até a próxima!

Brasil segue como país que mais combate a fome no mundo

Estudo divulgado por ONG reafirma o que a ONU publicou em outubro do ano passado

Filipe Matoso

Em uma matéria publicada pelo jornal Correio Braziliense, assinada pela Agência Brasil, a organização não governamental (ONG) Actionaid divulgou um estudo e afirmou que o Brasil é o país que mais combate a fome no mundo. O resultado do levantamento é, no mínimo, de nos dar orgulho. Afinal, milhões pessoas não têm o que comer e se há políticas públicas voltadas para o combate deste problema social, significa que estamos no caminho certo.

Sem dúvidas ainda falta muito, mas erradicar a fome – ou reduzi-la em 50%, como estipulam os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) até 2015-, não é uma tarefa fácil. O Brasil carrega uma bagagem de séculos sem desenvolvimento social e desfazer-se da carga é complicado. Nos últimos 20 anos, talvez, o governo vem criando programas assistencialistas que visam acabar com a fome. Certamente são investimentos, se assim podemos dizer, a longo prazo.

Em março deste ano, o Governo Federal divulgou um balanço sobre o Fome Zero, por meio de uma coletânea de livros (veja na reportagem de Mariana Zoccoli). Nele, são apresentadas as políticas criadas, resultados e outros pontos. Se hoje o Brasil possui resultados razoavelmente positivos no combate à fome, vale lembrar que o mineiro Patrus Ananias ficou à frente do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome quando o país foi considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em outubro do ano passado, a nação que mais lutava contra o problema.

Na época, foi constatado que de 2003 a 2010, 28 milhões de pessoas deixaram a pobreza extrema, ou seja, não se alimentavam e agora se alimentam diariamente. No entanto, como disse Wagner Caetano Alves de Oliveira, secretário nacional de Pesquisas Político-Institucionais da Presidência da República, o combate à fome deve ser uma política de Estado, e não uma proposta de governo.

Um relatório divulgado pelo Fundo das Organizações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, em inglês), nesta segunda-feira (10/10),  indicou que cerca de seis milhões de pessoas morrem todo ano no mundo sem ter o que comer. De acordo com a FAO, que tem um brasileiro à frente, José Graziano, o Brasil foi um dos poucos países onde a segurança alimentar continuou a melhorar. Segundo o texto, o sucesso se deve às políticas públicas bem-sucedidas.

Por outro lado…

Os dados a nível mundial são preocupantes. De cada sete pessoas, uma passa fome. Isso é complicado. Para quem sempre tem o que comer na dispensa de casa, para pessoas que gastam R$ 1 mil com supermercado, passar fome significa ficar sem comer algumas horas. Quantas críticas ouço diariamente ao Fome Zero? Várias. Sabem por quê? Porque essas pessoas que são contra “dar o peixe a ensinar a pescar” nunca passaram um dia sem se alimentar.

Há muito o que ser melhorado/ Foto: Kevin Carter (1993 - Sudão)

É duro. Ver uma criança nesta situação da foto choca. Para o leitor saber, o autor dessa foto, o sul-africano Kevin Carter, a tirou em 1993, no Sudão. Ele se suicidou um ano após com depressão profunda. Mas é preciso mostrar. O blog tem um lado social forte, pois acredita  que o desenvolvimento dos países em geral se dá quando a população tem condições mínimas de sobrevivência.

Se R$ 35 reais para uns não fazem diferença, com quem ganha R$ 510 por mês a conversa é outra. O texto pode se estender além do que deve. Então ficamos por aqui. Certamente ainda iremos abordar o tema do “é melhor dar o peixe ou ensinar a pescar?”, tão discutido, criticado e elogiado em rodas de conversa.

Até a próxima!